Oito semelhanças entre brasileiros e chineses

Oito semelhanças entre brasileiros e chineses

 

Oito semelhanças entre brasileiros e chineses que você nem imaginava

Oito semelhanças entre brasileiros e chineses

Ni hao,
Todo mundo comenta sobre as diferenças culturais que separam brasileiros de chineses, ou melhor, separam os chineses do resto do mundo! O que poucas pessoas sabem é que nós, brasileiros, somos muito parecidos com os chineses em alguns quesitos o que, a meu ver, é o principal motivo de termos tanta facilidade em nos adaptar por aqui. Tirando a comida, é claro!

1. O jeitinho chinês
O jeitinho brasileiro é a forma que o povo encontrou de resolver problemas se esquivando dos tentáculos do governo. A expressão “quebrar o galho”, além de significar ajudar alguém a resolver um problema, também significa navegar por um riacho que dá acesso ao rio principal. Entenderam? Os chineses, que possuem um governo onipresente e burocrático, são os reis do jeitinho. Todo mundo tem um caminho paralelo, uma solução que não está escrita ou um amigo influente. Para quem já ouviu falar, este é o famoso “guanxi”.

2. Não ir direto ao ponto
Esses caminhos paralelos também acontecem na hora de conversar sobre negócios. Por exemplo, brasileiro quando escreve um e-mail ou faz um telefonema profissional, dedica o primeiro parágrafo ou os primeiros minutos às amenidades: Como você vai? Como foi de feriado? Aproveitou o final de semana? Blá, blá, blá. Os chineses também são assim, ou melhor, um pouco piores. Para falar de negócios com alguém, primeiro é preciso almoçar junto, beber junto, cantar junto, em resumo, estabelecer uma relação de confiança para depois ir ao que interessa.

3. Gostar de cantar e dançar
Cantar junto, aqui na China, significa ir ao karaokê. A cada esquina há um deles que se parecem mais com motéis de alta rotatividade. São pequenos quartos com sofá, mesinha de centro, telão e microfone onde os chineses liberam a voz. Aliás, por conta disso, quase todo chinês e bem afinado. Quanto ao dançar, é só sair de manhã bem cedinho ou depois que o sol se põe para vê-los em rodas, ou em pares, com facas, leques e o que mais você puder imaginar. O fato de o brasileiro adorar uma cantoria dispensa maiores comentários.

Chinesas dançando na pracinha pela manhã
Chinesas dançando na pracinha pela manhã

4. Criatividade
Voltando aos caminhos paralelos, sabe aquela coisa de brasileiro fazer gambiarra? Não tem dinheiro para comprar, então improvisa? Os chineses também são mestres nas gambiarras. A foto a seguir exemplifica bem o que estou querendo dizer.

Oito semelhanças entre brasileiros e chineses
Cobertores e luvas para andar de moto nos dias de frio

5. Criar falsa intimidade
Uma das primeiras palavras que a gente aprende ao chegar aqui é “peng you” ou amigo. Meus filhos aprenderam logo a chamar o porteiro, o pessoal do mercadinho e o motorista de taxi de peng you para passar a receber tratamento VIP. Se no Brasil pedimos “um precinho camarada”, aqui a gente pede “preço de amigo”. O vendedor, por sua vez, apesar de ter te conhecido há um minuto, já manda logo “vou baixar o preço por que você é meu amigo”. Ontem, pedi para a vendedora da banquinha de frutas me dar um desconto e o que ela me deu foi um tapinha no bumbum: “Não posso, amiga!”

Oito semelhanças entre brasileiros e chineses
Dá um abraço aqui, amigo!

6. Os elogios exagerados
Ainda dentro desse clima de intimidade, os elogios que recebemos quando falamos em mandarim chegam a ser engraçados. Você abre a porta para um chinês, ele fala “obrigado – xie xie” e você responde “de nada – bu yong”. Pronto, isso já é o suficiente para eles gritarem sorridentes e orgulhosos: “Você fala muito bem mandarim”! Agora, me digam, no Brasil não é igualzinho? Estive no Rio na Copa do Mundo no ano passado e presenciei diversas vezes cenas do mesmo tipo. O camelô fala que a blusa da seleção custa “tuenti”, o gringo confirma em português “vinte?” e o camelô abre um sorrisão, vai logo dando um tapinha nas costas, abraça, tira foto… uma alegria só!

7. Anarquia
Logo que cheguei a Shenzhen, falei para o meu marido: Você me trouxe para uma cidade grande como São Paulo e zoneada como o Rio. Chinês não respeita faixa de pedestre, coloca as cadeiras na calçada, joga lixo na rua, fala alto demais, ri mais alto ainda, atende telefone no cinema, enfim, um brasilzão só!

Final de dia na praia, no Brasil ou na China, tanto faz.
Final de dia na praia, no Brasil ou na China, tanto faz.

8. Contato físico
Os chineses não se cumprimentam através de beijos e abraços. Uma certa distância é recomendável. Ao apertar a mão, o polido é mantê-la molinha e não firme como fazemos. Acontece que, todas as vezes, sem exceção, que nós adotamos o comportamento brasileiro de abraçar e beijar calorosamente, eles aceitam de imediato e, no encontro seguinte, nos agarram felizes da vida.

Como ouvi certa vez, nós não somos seres racionais providos de emoção, mas sim seres emocionais providos de razão. Dependendo do ambiente em que vivemos, nossas emoções estão mais ou menos à flor da pele. Mas a verdade é que, chineses ou brasileiros, somos todos em essência iguais.

CRÉDITOS DA FOTÓGRAFA
Marília Tarantino é fotografa e em seus cinco anos vivendo na China teve oportunidade de incrementar seu trabalho com imagens de diversos países da Ásia, suas belezas naturais e tradições. www.mtarantino.com , mtarantinophotography@gmail.com

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